Elizabeth, A era de ouro, a continuação do mesmo diretor Shekar Kapur para o filme Elizabeth, de 1998, deixa a desejar. A expectativa da grande batalha contra a imbatível Espanha, no momento histórico sublime do auge da Guerra Santa e da descoberta do Novo Mundo, cai por ribanceiras de frases simples, palavras óbvias e imagens extravagantes.Kapur pode ser um excelente diretor de arte, mas talvez tenha lhe faltado literatura para tratar com mais cautela o momento da grande batalha. Não é apenas de cenografia que precisamos para construir este momento, nem são apenas as armaduras que irão empolgar o espectador. Isso, também.
No início de uma batalha, o medo frente à imagem de um exército gigantesco que se aproxima clama a importância de um líder com as palavras que irão encorajar seus próprios homens a ir em frente, a lutar. Elizabeth, no filme, traz algumas palavras de amor, doces demais para o que se pedia. Doce demais inclusive para o sotaque britânico trabalhado por Cate Blanchett. Sentimos como se não houvessem palavras, e a partir deste momento, o filme torna-se inverossímil. Como um grande líder pode ter palavras tão fracas?
Foi necessário buscar na prateleira "Henrique V", de W. Shakespeare, e dublar Cate Blanchett em voz alta com o discurso da Batalha de Azincourt. Por meio de poucas palavras, Henrique V restaura o ânimo de seus guerreiros, paralizados à frente de um adversário mais numeroso e descansado. Para quem não conhece, uma palinha do texto de Shakespeare, que vai muito além do de Elizabeth no filme: Nós, estes poucos; nós, um punhado de sortudos; nós, um bando de irmãos... pois quem hoje derrama o seu sangue junto comigo passa a ser meu irmão. Pode ser homem de condição humilde; o dia de hoje fará dele um nobre. E os nobres que ficaram na Inglaterra, que estão agora em suas camas, irão julgar-se amaldiçoados porque não estavam aqui...
No início de uma batalha, o medo frente à imagem de um exército gigantesco que se aproxima clama a importância de um líder com as palavras que irão encorajar seus próprios homens a ir em frente, a lutar. Elizabeth, no filme, traz algumas palavras de amor, doces demais para o que se pedia. Doce demais inclusive para o sotaque britânico trabalhado por Cate Blanchett. Sentimos como se não houvessem palavras, e a partir deste momento, o filme torna-se inverossímil. Como um grande líder pode ter palavras tão fracas?
Foi necessário buscar na prateleira "Henrique V", de W. Shakespeare, e dublar Cate Blanchett em voz alta com o discurso da Batalha de Azincourt. Por meio de poucas palavras, Henrique V restaura o ânimo de seus guerreiros, paralizados à frente de um adversário mais numeroso e descansado. Para quem não conhece, uma palinha do texto de Shakespeare, que vai muito além do de Elizabeth no filme: Nós, estes poucos; nós, um punhado de sortudos; nós, um bando de irmãos... pois quem hoje derrama o seu sangue junto comigo passa a ser meu irmão. Pode ser homem de condição humilde; o dia de hoje fará dele um nobre. E os nobres que ficaram na Inglaterra, que estão agora em suas camas, irão julgar-se amaldiçoados porque não estavam aqui...


