


Li o livro de Jack Finney, "Invasores de corpos", por acaso. Eu o encontrei na estante da casa da minha sogra, junto à Bíblia, a uma coleção de obras do Stefan Zweig e à biografia de São Francisco escrita por Nikos Kazantzakis, num modorrento verão, há muitos anos. Era um livro estranho num lugar inadequado e por isso, só por isso, comecei a lê-lo.Ficção científica, exceto por Ray Bradbury, não é o gênero com o qual me identifico habitualmente. O suspense inteligente de Finney, no entanto, me prendeu. Uma ficção a um passo do terror psicológico, onde seres vegetais de outras galáxias fabricam, a partir de vagens, clones humanos que têm tudo, exceto o essencial ao humano: o espírito.
Porque gostei do livro, vi o filme de Don Siegel, de 1956, "Vampiros de almas". Um thriller excelente, em que a descoberta das vagens-casulos é o mais baixo dos pontos altos. Não vi a versão de Philip Kaufman, de 1978, com Donald Sutherland, que todos reputam muito boa. Tampouco vi o abacaxi chamado "A invasão", perpetrado em 2007 por Oliver Hirschbiegel e estrelado por Daniel Craig e Nicole Kidman.Mas vi a impactante versão de 1993, assinada pelo cult Abel Ferrara, e ambientada numa base militar..
O livro de Finney é perturbador e a ideia de seres em tudo iguais a suas matrizes, não fosse a incapacidade de expressar sentimentos, é tão bem colocada que permite reinterpretações e modernizações diversas, sem perda de substância da obra original.
Tudo isso me ocorre enquanto preparo mais blogs que serão, em breve, conectados à nave-mãe Curabula Livroclube.
Tal como uma invasora de corpo eu preparo o blog todinho, cores e formas, diretrizes, e fico esperando, quietinha, o material que dará vida a mais esse blog, feito para tornar a matriz Curabula ainda mais rica e variada. Fico esperando o momento de soprar a essência no que é apenas vagem-casulo. Quando finalmente o blog está pronto para ir ao ar, deixo o leitor olhar nos olhos dele e ver o resultado. Como no livro e nos filmes, se o olhar vibrr de emoção, o: blog é verdadeiro, se parecer assustadoramente vazio, é um clone sem alma.

