Escrever um post sobre a Alice do Tim Burton pode até ser óbvio nesses dias, mas será que é óbvio dizer que e odiei o filme?
Pois é, foi isso que aconteceu. Meu marido e eu fomos ver o filme na própria sexta da estreia, naquelas sessões de meia-noite. Ele estava animadíssimo desde que vimo o primeiro trailler. Eu observava, atenta, o movimento do mercado editorial e o crescimento da febre em torno do filme. Estava curiosa.
Eu gosto do Tim Burton, relevo o fato de ele colocar a mulher em todos os seus filmes - até porque ela é muito boa -, mas ele levou minha Alice embora! Somente sentada na poltrona, com a sala escura e os óculos 3D devidamente posicionados é que me dei conta do tamanho da minha expectativa em torno do filme. E como eu me decepcionei. Passagens chatas, lentas, personagens desvirtuados de suas essências... Nossa! O pior foi Alice ter ganhado uma função, um propósito explícito, uma missão no País das Maravilhas.
Alice não tem missão, tem um caminho cheio de surpresas. Um caminho ao mesmo tempo angustiante e viciante para o leitor. O livro tem ação, movimento. Mas sua aventura é mais com palavras que com atitudes. Buton transformou tudo isso em um thriller.
Tudo bem, tudo bem. Eu sei que é uma leitura. Que assim como eu tenho a minha Alice, o Burton tem a dele. Adaptações nunca são fiéis. Coisa e tal. Essa parte eu entendi, mas também acho legítimo eu querer a minha Alice de volta!
E, ora, eu consegui. A irritação foi tant que, no dia seguinte, eu já tinha caído no buraco do Coelho com ela de novo. E isso é Maravilhoso para mim.
