
A questão é antiga e mudou, com o tempo. Se antigamente qualquer professor ou pai tinha horror à ideia de que o filho não lia o livro, preferindo substitui-lo pelo filme, hoje o professor leva o filme para a sala de aula porque sabe que um abre a porta para o outro.
Já há algum tempo professores de história colocam seus alunos para assistir Brancaleone, de Mario Monicelli, para que entendam melhor a Idade Média, professores de literatura sugerem assistir Decameron, de Pasolini, para evitar o confronto com Bocaccio em alunos ainda pouco afeitos a linguagens não contemporâneas, professores de filosofia garantem que A Doce Vida, de Fellini pode ser a melhor introdução ao existencialismo.
Com os pais, dá-se o mesmo. É só se dar ao trabalho de experimentar. Pegar o filme na locadora, deixar o livro a postos, e pronto.
Pode existir passagem mais deliciosa para a literatura inglesa do século XVIII-XIX do que os filmes baseados em Jane Austen? Ver Orgulho e preconceito e depois ler o livro, página a página, é perceber que não há imagem que substitua o humor sutil da inglesa provinciana e modorrenta que hoje é cultuada em todo o mundo. Ou, ainda mais fácil. Ver O clube de leitura de Jane Austen e repassar, uma a uma, cada uma de suas obras e percebê-las atuais- quase livros de autoajuda!
Os filmes de Curabula é um jogo. Pegue um filme, um livro, busque o maior número de conexões, discuta, analise qual o melhor, o pior. Mas um fato é indiscutível: os olhos da imaginação fazem filmes insuperáveis e totalmente individuais. O caminho do filme ao livro é magnífico, e nada desprezível, mas não se compara ao caminho do livro ao filme. Quando os olhos da sua imaginação se reconhecem nos olhos da imaginação de um diretor, o prazer é incomparável.
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