EM CARTAZ

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

AMORES IMAGINÁRIOS, por Gina Louise


O primeiro filme de Dolan (Canadá), exibido ano passado no FestRio, Eu Matei Minha Mãe, causou tamanho frisson que a expectativa em relação ao seu segundo longa foi maximizada. Seria essa a causa de uma pequena frustração? Ainda que menos impactante que a primeira obra desse artista polivalente (diretor, roteirista, ator, figurinista e muito mais), Amores Imaginários é um filme delicioso. Partindo de um argumento mínimo - a paixão/veneração de dois jovens amigos, Marie (a expressiva Monia Chokri) e Francis (Xavier Dolan), por Nico (Niels Schneider), um garoto loiro de cabelos cacheados (verdadeiro David renascentista aos olhos dos enamorados) -, o encanto do filme encontra-se na narrativa.
Embalados pelo hit romântico Bang Bang, na versão italiana interpretada por Dalida, os personagens são acompanhados pela câmera em slow-motion, deixando-nos hipnotizados. Cada gesto, cada elemento de cena, o figurino vintage de Marie, as cores escolhidas para flagrar os momentos de intimidade com parceiros furtivos, e nunca com o real objeto do desejo, tudo, tudo no filme compõe uma atmosfera pop intimista que faz paródia de si mesma, apropriando-se de linguagem publicitária, clichês, papos de redes sociais. Se "todo apaixonado vira um adolescente", creio que o público, de que idade for, vai projetar-se nas ilusões e desilusões dos personagens. O próprio filme dialoga com sentimentos e experiências amorosas de outros jovens, em depoimentos inseridos em tom de reality-show. Bom humor, diálogos inteligentes, olhar crítico e criatividade não faltam a Dolan. Com a autoridade dos seus 21 anos, ele fala sobre aquilo que conhece bem. Para muita gente isso é defeito. Penso ser um mérito. Amores, imaginários ou não, merecem ser vividos e expressados poeticamente.

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