EM CARTAZ

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

FESTIVAL DO RIO – A PRIMAVERA CHEGOU, por Gina Louise

A primavera chegou e um perfume especial se espalha pelo Rio de Janeiro. Calma... não vou aqui falar de flores, pelo menos não no sentido literal da palavra. O perfume a que me refiro é um bálsamo diferente. Mais de 300 filmes do mundo inteiro desembarcam na cidade para alegria de cinéfilos e amantes da sétima arte. O Festival do Rio começou no dia 23, para contradizer quem acredita que as salas de cinema deixarão de existir um dia, solapadas pela avalanche de novas tecnologias que possibilitam o acesso individual aos filmes.
Fellini disse certa vez em um texto: "Ir ao cinema é como voltar ao útero. Você se senta no escuro e fica esperando, com a inocência de um feto, a tela acender como a luz da vida". Esta definição me ajudou a compreender o sentimento mágico que sempre toma conta de mim quando entro numa sala escura na expectativa de mergulhar em outros mundos, outras vidas. E o mais fascinante é que essa experiência é coletiva, enriquecida pela troca de energia, ideias e emoções. Quando a sala está lotada de espectadores sintonizados, hipnotizados pela mesma magia, há um perfume no ar que só quem partilha desse vício consegue perceber. Pura poesia.
Difícil mesmo em época de FestRio é montar a programação, fazer escolhas. "Abandonar" um filme em favor de outro, descobrir novos diretores ou prestigiar os mais conhecidos: são muitos os dilemas já que não é possível ver tudo, embora a gente se esforce ao máximo. Como de praxe, o evento traz obras premiadas nos importantes festivais – Cannes, Veneza, Berlim e mostras menores. Tentarei partilhar nesses dias impressões sobre alguns filmes já vistos, dar uma ou outra dica, lembrando, entretanto, que há filmes para todos os gostos e todas as tribos.

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